QUANDO AS TEORIAS ITINERANTES esbarram nas teorias do sul

Edgar Cézar Nolasco

Resumo


Se os pássaros migram para fora de seu lugar de acordo com as estações, para depois retornarem tangidos pelo desejo de retorno ao seu lugar de origem, diríamos que o mesmo não acontece com as “teorias itinerantes”, cujo destino entre outros é migrarem para o Sul. Tais teorias, acostumadas a uma longa tradição moderna e escolástica de repetição, fazem uma extensa viagem em direção à morada de suas anfitriãs as teorias do Sul (apesar de viajarem também para todas as direções), na tentativa, antes indiscutível e agora cada vez mais impossível, de reforçarem uma exterioridade criada pelo próprio poder discursivo da interioridade das teorias itinerantes. Cada vez mais, tais teorias esbarram, quer seja no meio da viagem ou no término desta, nas teorias do Sul que, por sua vez, estão se levantando contra a visada teórica e crítica que grassou no mundo por muito tempo, que mais se assemelha a uma eternidade. Em contrapartida, as teorias do Sul não hospedam, ou hospedam cada vem menos, as teorias vindas dos grandes centros, propondo, por conseguinte, um gesto transculturador que acaba por desalojar o poder totalizador do discurso crítico das teorias itinerantes.


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