A PULP FICTION brasileira de Ryoki Inoue

Pedro Theobald, Charles Dall’Agnol

Resumo


“A mente acadêmica”, reflete Ray Browne em Against Academia, “começa com capacidade quase ilimitada, mas nunca utiliza todo seu potencial[1]” (BROWNE, 1989, p. 1). Por essa razão, ela resulta em uma instituição semelhante aos salões de arte conforme descritos por Pierre Bourdieu, pois “se definem mais pelo que excluem que pelo que aglutinam” (BOURDIEU, 2010, p. 69). Essas posições exclusivistas assumidas pelos agentes literários dentro do campo delineiam uma prática cognitiva fundadora de uma realidade acadêmica maniqueísta. De um lado, o predomínio da beletrística, com os cânones e a “ficção literária”, “séria”, que, na tentativa de absorver a sensibilidade moderna, por vezes se distancia do público; do outro, a literatura popular, pulp, de gênero, a literatura de banca de jornal, toda a literatura que tem por objetivo principal o entretenimento.


[1] Essa e todas as traduções, quando necessárias, são de nossa autoria.


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Referências


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