Os usos da Teoria da Transposição Didática e da Teoria Antropológica do Didático para o estudo da educação em museus de ciências

Martha Marandino, Juliana Bueno, Fausto de O. Gomes, Fernanda Luise Kristel, Adriano Oliveira

Resumo


Neste artigo, apresentamos o potencial da análise didática para o estudo do fenômeno educacional nos museus de ciências, entendendo que estudar a didática no museu implica discutir os elementos que conformam uma maneira particular de produção e de realização de práticas educativas nesse local. Consideramos, também, que esses elementos recebem influência dos campos de conhecimento pedagógico, científico (disciplinares) e museológico, constituindo a didática museal, uma didática específica para os museus. A nosso ver, a didática museal pode ser entendida na sua imbricação entre os conteúdos pedagógicos/comunicacionais/museológicos e os específicos (disciplinares) podendo ser vista como um processo que envolve intenções e ações concretas de ensinar e de aprender nos museus. Dessa forma, é possível a análise do “como se ensina” e do “como se aprende” os conhecimentos nos museus. Para essa análise, apoiamo-nos na Teoria da Transposição Didática e na Teoria Antropológica do Didático como referenciais que fornecem ferramentas teórico-metodológicas importantes para estudar a educação nos museus na perspectiva da didática. Desse modo, apresentamos neste texto as bases conceituais dessas teorias, comentamos o uso das mesmas no ensino de ciências, em especial nos museus de ciências, e exemplificamos o uso dessas teorias na análise do fenômeno educacional nos museus com o intuito de revelar seu potencial e discutir alguns de seus limites.

Palavras-chave


teoria antropológica do didático; transposição didática; museus de ciência; educação em museus; didática museal

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