DEPRESSÃO NO ENVELHECIMENTO EM POPULAÇÃO DO MÉDIO ARAGUAIA: UMA QUESTÃO DE GÊNERO?*

Carlos Kusano Bucalen Ferrari, Graziele Souza Lira Ferrari

Resumo


A depressão constitui uma das doenças mais incapacitantes que aflige população humanas em todo o mundo, sendo responsável por diversas co-morbidades crônicas, como excesso de peso, hipertensão arterial, diabetes melito tipo 2 e acidentes vasculares encefálicos. Devido à escassez de estudos em regiões do interior do Brasil, o objetivo do presente estudo foi avaliar a prevalência de depressão em pessoas de meia-idade e idosos que freqüentavam o centro de assistência social de Barra do Garças, Médio Araguaia, MT. Foram avaliadas 79 pessoas, incluindo sujeitos de meia-idade (n=31) e idosos (n=48), sendo 64 mulheres e 15 homens. O número de homens foi reduzido porque poucos deles se interessaram em participar de grupos de idosos. Foi aplicado questionário de variáveis socioeconômicas, presença de doenças e hábitos de vida, bem como a Escala Geriátrica de Depressão (EGD) de Yesavage (1983). O estudo aprovado pelo comitê de ética do Hospital Universitário Júlio Müller, UFMT (no668/Cep-HUJM/09). O cálculo das freqüências e a análise estatística foram realizados mediante o uso do programa epitools®. Considerando-se que a distribuição da amostra é aproximadamente normal, foi utilizado um teste z unicaudal para comparar proporções amostrais, aceitando-se como nível de significância o mínimo de 5% (p<0,05). A maioria dos idosos não era tabagista (74% de mulheres e 100% de homens, nem ingeria bebidas alcoólicas (95,3% e 86,7%, para mulheres e homens, respectivamente). As prevalências de diabetes e colesterol elevado foram 20% e 26%, respectivamente. A prevalência de depressão em pessoas de meia-idade foi de 16,13%, acometendo exclusivamente o gênero feminino. A prevalência de depressão em idosos foi de 27,08%, sendo de 23% nos homens e 29% nas mulheres. Embora haja limitações amostrais neste estudo, o mesmo confirmo resultados anteriores deste grupo e de outros grupos nacionais e internacionais, evidenciando que a depressão manifesta-se mais precocemente nas mulheres que nos homens, o que merece projetos e programas para a promoção da saúde e prevenção desta doença, especialmente voltados para o público feminino.

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